Desafios e oportunidades do mercado imobiliário no pós-pandemia

Desafios e oportunidades do mercado imobiliário no pós-pandemia

O mundo nunca mais será o mesmo depois da crise mundial provocada pelo novo coronavírus. A pandemia acelerou mudanças necessárias que estavam em curso, impactando de forma permanente os hábitos de consumo e a forma como nos relacionamos, seja com outras pessoas ou com as cidades. Ocasionando ainda uma desaceleração da economia global que afeta o mercado imobiliário no Brasil.

São inúmeros os desafios impostos ao mercado imobiliário no pós-pandemia. No entanto, há infinitas oportunidades para que as cidades consigam se adaptar às necessidades atuais, ao mesmo tempo que se preparam para o futuro. Para isso, é necessário aliar tecnologia para gerar eficiência em operações urbanas, construindo espaços urbanos de qualidade e voltados para pessoas.

Apesar do isolamento social ter proporcionado restrições ao uso dos espaços públicos, o impedimento de deslocamentos fez com que as pessoas passassem a valorizar as áreas perto de casa, ruas ou calçadas, parques e praças de bairro. Por conta disso, a necessidade do encurtamento de distâncias se tornou uma tendência que deve permanecer no pós-pandemia, afinal essa iniciativa promove maior qualidade de vida e o desenvolvimento sustentável da região.

Pesquisa "Covid-19: impactos e desafios para o mercado imobiliário", realizada pela Brain Inteligência Estratégica, revelou que as incertezas relacionadas às questões econômicas estão entre os principais fatores que pesam na decisão pela desistência de investir em um imóvel. A mesma pesquisa aponta ainda que a preferência dos consumidores é outra, cerca de 18% deles estão pensando em mudar o tipo de imóvel depois da quarentena em busca de unidades habitacionais maiores. 

Apesar dos impactos negativos da pandemia no mercado imobiliário e dos desafios que o cenário impõe ao setor, as empresas devem se adequar às novas tendências para permanecerem competitivas. 

Tendências do mercado imobiliário no pós pandemia


É perceptível o quanto a pandemia proporcionou oportunidades para repensarmos os espaços públicos. A partir de uma pesquisa que analisou como pessoas têm usado os espaços públicos durante a pandemia, o escritório dinamarquês Gehl Architects, referência mundial em urbanismo, elaborou uma lista de ações capazes de tornar as cidades mais bem adaptadas à nova realidade. 

Para o Gehl, se os espaços públicos forem repensados, projetados para possibilitar segurança e criatividade, eles podem se tornar uma área viva da comunidade. Dessa forma, o Gehl acredita que a crise causada pelo coronavírus pode apresentar oportunidades para criar maneiras saudáveis ​​e sustentáveis de viver nas cidades.

Confira as principais tendências no mundo pós-pandemia:

Estímulo à mobilidade ativa


Estimular a mobilidade ativa por meio de infraestrutura adequada para caminhadas, ciclismo, exercícios com maior distância entre as pessoas, seja por meio de alargamento de calçadas, implementação de ciclovias ou construção de ruas compartilhadas para que pedestres, ciclistas e motoristas convivam em harmonia. Especialistas apontam a mobilidade ativa, em especial o ciclismo, como melhor alternativa de deslocamento no mundo pós-pandemia, incentivando um modelo de locomoção pela cidade mais sustentável e seguro.

Otimização dos espaços de convivência


Priorizar espaços de convivência que otimizam a rotina das pessoas, mantendo serviços essenciais próximos e acessíveis é outra tendência. Para se adequar aos novos hábitos que vem se revelando neste novo contexto pós-pandemia, é necessário adotar o conceito de espaços otimizados que facilitam a vida dos cidadãos, proporcionando diversas vantagens práticas, como por exemplo: melhor aproveitamento dos espaços, melhores condições de ventilação e acessibilidade. Além disso, a arquitetura deve se preocupar mais com aproveitamento dos recursos naturais de forma sustentável.

Proporcionar novos formatos de entretenimento


Adaptar programação social e cultural às novas normas – seja através de modelos virtuais ou modelos seguros e fisicamente distantes. Criar programações locais (como as festas de rua) com normas seguras e fisicamente distantes — por exemplo, desenvolvendo guias de festas já existentes é uma das tendências no pós-pandemia. 

Moradia próxima ao trabalho


Diante da necessidade do isolamento social, o home-office se tornou uma realidade para muitas pessoas. Com a pandemia, mais empresas passaram a se organizar para trabalhar nesse formato. Isso porque, o trabalho remoto evita a necessidade de estar em espaços com grande aglomeração, como ônibus e metrôs, especialmente em horários de pico. No mundo pós-pandemia morar mais perto do seu trabalho passa a ser uma tendência. Diante disso, os bairros serão gradativamente redesenhados para facilitar a rotina das pessoas.